Profissional critica ausência de influenciadores baianos em grandes eventos realizados em Salvador
- imprensalab imprensalaboratoriodanoticia
- 30 de jan.
- 3 min de leitura
Especialista aponta desigualdade de cachês, exclusividade sem remuneração e apagamento da diversidade nas estratégias de marketing de influência

Uma profissional do mercado criativo e de comunicação da Bahia critica a ausência e a baixa contratação de influenciadores baianos em grandes eventos realizados em Salvador, a exemplo do Festival de Verão, ocorrido recentemente na capital. A avaliação é de que, apesar de sediar eventos que movimentam milhões de reais e geram ampla visibilidade nacional, a cidade segue sendo tratada como cenário, sem protagonismo de quem produz conteúdo e constrói narrativas a partir do território.
No Festival de Verão, um dos principais eventos culturais de Salvador, a contratação considerada irrisória de influenciadores locais chamou atenção do mercado. Para a profissional, o episódio simboliza um problema estrutural no marketing de influência no Brasil, marcado pela priorização de talentos de fora da Bahia em festivais, ativações de marca e grandes projetos culturais realizados na cidade.
Segundo Juliana Salema, CEO da +Q Creators e advogada especialista em marketing de influência, a prática revela uma distorção recorrente nas estratégias das marcas. “Existe uma dificuldade do mercado em reconhecer o valor estratégico dos influenciadores locais. Salvador entrega cultura, engajamento e repertório simbólico, mas segue sendo tratada apenas como pano de fundo das campanhas”, afirma.
A escolha por influenciadores externos segue um padrão. Mesmo com custos mais elevados e, muitas vezes, sem vínculo real com a cultura local, esses talentos continuam sendo priorizados. Dados de mercado apontam discrepância entre os valores pagos a influenciadores do Norte e Nordeste em relação aos do Sudeste, com diferenças que variam entre 40% e 60%, mesmo quando métricas como número de seguidores, engajamento e nicho são equivalentes.
Além da desigualdade financeira, a forma de acionamento dos criadores locais também é alvo de crítica. Relações públicas contratados de outros estados costumam oferecer apenas convites, geralmente com acesso à pista, sem proposta de cachê. Camarotes e contratos remunerados são exceção para influenciadores baianos, enquanto talentos de fora recebem pagamento, hospedagem, logística e planejamento estratégico.
Para Juliana Salema, convite não configura parceria profissional. “Quando a marca utiliza a imagem, o alcance e a criatividade do influenciador, isso caracteriza prestação de serviço. Sem remuneração, o criador local perde valor de mercado e compromete futuras negociações”, explica.
Outro ponto sensível envolve cláusulas de exclusividade. Em segmentos como financeiro e bebidas, propostas costumam impor restrições que impedem o influenciador de produzir conteúdo para marcas concorrentes por até três meses. Na prática, muitos criadores locais ficam impossibilitados de fechar novos contratos durante todo o verão, sem compensação financeira proporcional à limitação imposta.
O modelo, segundo a análise, impõe controle sem investimento, exclusividade sem parceria e visibilidade sem remuneração.
A crítica também alcança a diversidade. Em uma cidade majoritariamente negra, com produção cultural marcada pela ancestralidade africana, a presença reduzida de influenciadores negros em eventos patrocinados por grandes marcas chama atenção. No Festival de Verão, essa participação foi considerada mínima por profissionais que acompanham o setor.
Outro aspecto apontado é a atuação de equipes de relações públicas vindas de outros estados. A avaliação é de que essas equipes chegam com estratégias prontas, sem escuta e sem diálogo com a cultura local, o que transforma Salvador em cenário, e não em linguagem.
Para a profissional, Salvador não deve ser tratada como cortesia institucional. Valorizar influenciadores do território é estratégia de marca, inteligência de comunicação e leitura de mercado. A pergunta permanece: se influenciadores de fora recebem verba, exclusividade remunerada e protagonismo, por que os influenciadores locais recebem apenas convite? A conclusão é direta: não falta talento em Salvador. Falta reconhecimento do valor que sempre esteve presente no território.
Foto Divulgação
Assessoria de Comunicação - LABORATÓRIO DA NOTÍCIA







Comentários