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Expo Teia dos Povos ocupa a Casa de Castro Alves com imersão em alianças pretas, indígenas e populares

  • Foto do escritor: imprensalab imprensalaboratoriodanoticia
    imprensalab imprensalaboratoriodanoticia
  • 13 de jan.
  • 3 min de leitura

Mostra integra a programação do Movimento IRUN e apresenta articulações territoriais baseadas na ancestralidade, no Bem Viver e na luta coletiva


 

Luciano PayayáTerritório indígena Payayá
Luciano PayayáTerritório indígena Payayá

A Expo Teia dos Povos: Uma Aliança Preta, Indígena e Popular está em cartaz na Casa de Castro Alves, no Santo Antônio, como parte da programação do Movimento IRUN. A exposição propõe ao público uma imersão em uma ampla articulação de povos e comunidades tradicionais que se organizam a partir da terra, da ancestralidade e da luta coletiva por vida digna e pelo Bem Viver.

 

Mais do que apresentar uma experiência organizativa, a mostra convida à compreensão da Teia dos Povos como um organismo vivo, tecido por relações de solidariedade, reciprocidade e pertencimento territorial, no qual cada comunidade, saber e prática constitui um elo fundamental de uma rede em permanente construção.

 

Estruturada como um espaço de escuta, aprendizado e reflexão crítica, a exposição evidencia os princípios que sustentam essa aliança: a terra e o território como fundamentos filosóficos, políticos e materiais da existência; as águas, as sementes e a soberania alimentar como bens comuns e patrimônios da vida; o trabalho coletivo, o estudo e a formação política como caminhos de emancipação frente às estruturas do capitalismo, do racismo e do patriarcado. Esses princípios se materializam em práticas agroecológicas, na regeneração de florestas, rios e nascentes, na produção de alimentos saudáveis e no fortalecimento das redes comunitárias.

 

O percurso expositivo, concebido sob a curadoria de Márcia Ganem, Solange Brito Santos e Aline Bento, apresenta a Teia dos Povos como uma aliança que reúne povos indígenas, comunidades quilombolas, camponeses, agricultores familiares, populações periféricas e movimentos do campo e da cidade. A exposição revela que essa articulação se constrói no cotidiano dos territórios, nos mutirões, nas jornadas formativas, na partilha e guarda de sementes crioulas, nas experiências de bioconstrução, no manejo da água, no uso de energias sustentáveis e na recuperação de áreas degradadas, reafirmando a solidariedade como método político e horizonte ético.

 

Entre os eixos abordados, destacam-se a luta por terra e território, entendidos não como mercadoria, mas como espaços vivos, onde natureza e comunidade coexistem em equilíbrio. A exposição enfatiza a defesa de territórios descolonizados, capazes de garantir autonomia, soberania alimentar e proteção da vida frente às ameaças impostas por modelos predatórios de desenvolvimento. Nesse contexto, ganham centralidade a Rede de Sementes, enquanto prática ancestral de resistência cultural e biológica, e a floresta Cabruca, sistema agroflorestal tradicional do sul da Bahia que articula conservação ambiental, produção de alimentos e manutenção de modos de vida historicamente construídos.

 

Os mutirões e a Rede de Mulheres da Teia dos Povos aparecem como dimensões estruturantes dessa organização coletiva. Os mutirões se afirmam como práticas pedagógicas e políticas de cooperação, onde o fazer coletivo produz conhecimento, autonomia e soberania territorial. A Rede de Mulheres, por sua vez, se consolida como espaço de cuidado, protagonismo e fortalecimento das mulheres indígenas, quilombolas, camponesas e periféricas, guardiãs de saberes ancestrais e articuladoras de processos de transformação social.

 

A exposição incorpora ainda a memória e a resistência do povo Tupinambá de Olivença, por meio da Peregrinação realizada há mais de duas décadas em defesa da demarcação de seu território tradicional. Essa caminhada, ao mesmo tempo sagrada e política, reafirma a continuidade histórica, espiritual e territorial de um povo que resiste às violências coloniais e contemporâneas, mantendo viva a memória de seus ancestrais.

 

Ao final, Teia dos Povos: Uma Aliança Preta, Indígena e Popular propõe um deslocamento de olhar: do individual para o coletivo, da exploração para o cuidado, da fragmentação para a interdependência. A exposição afirma que a emancipação dos povos se constrói em rede, ancorada nos territórios, na ancestralidade e na construção compartilhada de futuros possíveis baseados na vida, na diversidade e na justiça social.

 

A Expo Teia dos Povos: Uma Aliança Preta, Indígena e Popular integra o projeto Movimento IRUN, contemplado nos editais da Política Nacional Aldir Blanc Bahia, com apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, via PNAB, direcionada pelo Ministério da Cultura – Governo Federal. A iniciativa também é contemplada pela Política Nacional Cultura Viva.

 

ServiçoExpo Teia dos Povos: Uma Aliança Preta, Indígena e PopularOnde: Casa de Castro AlvesEndereço: Rua do Passo, 52 – Santo AntônioQuando: Visitação de terça a sábadoHorário: das 14h às 19hEntrada gratuita, mediante inscrição no link do Instagram @casadecastroalves

 

Foto Luciano PayayáTerritório indígena Payayá – Cabeceira do Rio Utinga – Chapada Diamantina-BaTítulo: Ô, minha JuremaFotografado: Tamanduá Tupinambá, do Território Tupinambá de OlivençaRegistro da Caminhada Tupinambá de Olivença




 Assessoria de Comunicação do Evento  - LABORATÓRIO DA NOTÍCIA

 
 
 

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